Instablog: Nova York por aí

Paris?

IMG_7515Não, é o belíssimo Jardim de Esculturas do MoMA – Museum of Modern Art…

IMG_7516…e lá dentro, temos algumas preciosidades:

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IMG_7500Que coisa: volta e meia fiz posts fotográficos usando como título a fórmula “nome da cidade” + “por aí”. Era uma brincadeira com a coluna do Paulo Francis no jornal de domingo. Agora, o título volta ao lugar onde nasceu. Sincroni-cidades.

20130429_191431[Uma pausa pra o café]

20130505_13470820130505_132510Outra pausa para mais um lanche. O Carnegie Deli diz que, se você conseguir comer todo o sanduíche de pastrami da casa, é porque eles fizeram alguma coisa errada. Ué, eu comi tudinho.

20130505_135148[O amor é lindo...]

20130501_221207[...e, de repente, pode estar aí em cima]

IMG_7743[Ou aqui]

20130503_191636[Santa teia de aranha! Olha só...]

IMG_7691[...que coroa enxuta! Que gata!]

IMG_7727[Tinha que estar embrulhada bem na hora???]

20130503_141929[Não fume]

20130504_12230820130504_133043As fotos que ninguém nunca tirou no Met – Metropolitan Museum of Art: pingentes de ouro pré-colombianos e um relicário etíope. O Met é seis vezes maior que o Louvre, mas eu sou muito detalhista.

*   *   *

Nova York sem Broadway não é Nova York. É o que o americano mais saber fazer – entretenimento, tecnologia e ganhar dinheiro. Vi dois excelentes musicais: Spiderman – Turn off the Dark, e Rock of Ages. O primeiro é um Cirque du Soleil radical: os atores voam e lutam (com cabos, óf cóurci) sobre o palco e sobre o distinto público. A história é sobre a origem do Homem-Aranha e lembra muito o filme de 2002. O Duende Verde parece uma mistura de Coringa do Batman com o Gene Simmons do KISS. Coreografias e efeitos fantásticos. Adorei. Mas já reparei que, quando eu adoro alguma coisa, dá merda: adorei o passeio de balão na Turquia e caiu um balão lá e mais outro no Egito. Adorei esse musical e um dançarino caiu em cima do palco, fraturando gravemente a perna, outro dia. Então não adoro mais nada. Gostei. Pronto (mas adorei).

Já o Rock of Ages é um musical-comédia engraçadíssimo, com toda a trilha sonora dos anos 80 da melhor qualidade: Journey, Foreigner, Twisted Sister, Whitesnake, Starship e outros. Tipo festa Ploc. A história de uma garota do interior que vai para Los Angeles tentar a sorte em Hollywood e encuentra su amor. Músicas de vibrar na cadeira e percebi gente que estava indo pela enésima vez. Já falei que é de morrer de rir? Superbemtransado. Mas disseram que o filme com o Tom Cruise não foi bom. É sempre melhor procurar o original. Ador… – quer dizer, gostei também (mas adorei também).

E, ao me despedir de NY, percebi uma coisa: devo ter sido, até hoje, o único brasileiro que esteve nos EUA e não comprou absolutamente NADA. Não sei como não fui barrado na alfândega…

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“Voando” no Concorde em NY / Enterprise

(Continuação do post anterior)

Outro grande momento do Intrepid Air & Space Museum é o Concorde aberto à visitação (tour guiado – antes, estavam levando “lembrancinhas” do avião). Como já escrevi, paga-se uma taxa extra, mas vale totalmente a pena.

IMG_7526Entrar no bicho é lembrar de uma época de glamour, onde se jantava lagostas acompanhadas de uma taça de champanhe. Onde se voava de NY a Paris em 2:30 hs. Onde todos os assentos eram de primeira classe – embora a preferência fosse pelos da frente, onde se servia a comida primeiro e o ruído dos motores era menor.

IMG_7525Indiscutivelmente a aeronave mais bela já construída, o Concorde nasceu do desejo de estabelecer o transporte supersônico de passageiros. Em 1962 foi criado um consórcio franco-britânico e começaram os trabalhos. Em 1965 os primeiros protótipos voaram, e as primeiras encomendas foram feitas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA[Anúncio da Pan Am sobre sua frota para a década de 70: o Concorde no alto, o Jumbo 747 e o supersônico americano embaixo, que nunca chegou a ser construído. A Pan Am também nunca adquiriu o Concorde. E faliu na década de 90. Imagem: Sentimental Journeys]

Embora “Concorde” signifique “concórdia”, o próprio nome deu confusão entre os envolvidos: os ingleses queriam “Concord”, os franceses queriam “Concorde” e os escoceses estavam putos porque não haviam sido mencionados. O problema foi resolvido adotando-se “Concorde”, com “E” de “Écosse (“Escócia” em francês)”. Administração de egos.

Quando tudo parecia promissor, a queda do piratão Tupolev Tu-144 (cópia soviética do Concorde) em 1973 e preocupações ambientais relativas à poluição e ao estrondo sônico levaram a uma redução das encomendas, e o avião acabou sendo comprado apenas pela British Airways e pela Air France. A crise do petróleo piorou o cenário e o Concorde nunca alcançou uma quantidade de exemplares que permitisse um ganho de escala e redução nos preços da passagem e nos seus custos – apenas 20 foram produzidos. O acidente fatal de um avião em 2000 – o único do modelo, e o atentado de 11/09 enterraram o pobre de vez. Infelizmente.

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Alguns especialistas afirmam também que as novas restrições sobre a poluição sonora foram encorajadas pelos EUA, eliminando um concorrente da indústria aeronáutica americana. Mas vamos dar uma voltinha no Concorde; foi para isso que viemos.

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Porque o Concorde sempre foi pintado de branco? Foi a maneira encontrada de ajudar a reduzir o imenso calor externo gerado pelo atrito com o ar no vôo supersônico.

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AF4500_Terre_20000mDa mesma forma, as janelas do avião eram as menores possíveis. Se houvesse uma súbita despressurização, mesmo as máscaras de ar não seriam o suficiente para a oxigenação dos passageiros com janelas normais, devido à grande altitude em que o Concorde voava (18 km). Via-se a curvatura da Terra pelas janelas (ao lado: vôo AF4500 em agosto de 1999, durante um eclipse do Sol – foto de Xavier M. Jubier). E havia um radiômetro a bordo, pelo temor de que a radiação cósmica existente nas altas camadas da atmosfera provocassem câncer de pele. Quando o aparelho chegasse a um ponto crítico, descia-se para 14 km.

IMG_7575Cá estamos: duas fileiras de duas poltronas cada, apenas maletas nos bagageiros e olhe lá. Para perfurar a atmosfera, o Concorde era o mais estreito possível. E, voando alto pra caramba, não havia nenhuma turbulência. No sapatinho.

IMG_7585Que tal a réplica do menu de bordo? Tudo do bom e do melhor (também, pelo preço…). Houve um passageiro VIP que conquistou o recorde de milhas voadas no Concorde, pois transitava duas vezes por dia entre a Inglaterra e os EUA, celebrando contratos para sua empresa. Ele sempre se sentava em determinada poltrona, onde se iniciava o serviço.

IMG_7591Imagine que nessa época, era tudo analógico. Não havia touchscreens nem monitores LED Full HD, só os bons e velhos ponteiros e interruptores.

IMG_7568Pelo seu perfil alongado, o avião possuía um bico dobrável, para auxiliar a visão do piloto na hora do pouso.

IMG_7566[Quanto de pressão, moço?]

O Concorde acabou sendo empregado mais por executivos indo e vindo entre filiais nos dois continentes. Dizem que esta utilidade perdeu o sentido com o advento do fax, do e-mail e de todas as formas de comunicação instantânea existentes. Particularmente, não concordo. Preferiria que os supersônicos de passageiros continuassem sendo desenvolvidos e disseminados, a um preço menor. Quando se pensa que, na década de 70, fazia-se Rio-Paris em cinco horas e meia e hoje levamos uma eternidade na mesma viagem (e eu vi o Concorde chegando no Galeão em 81. Não sei porque confessei isso, mas deixa pra lá)…

E chegamos ao ônibus espacial Enterprise no convés do Intrepid, o primeiro do programa americano. Na verdade, nunca foi ao espaço. Só foi utilizado em testes de vôo. Quando os fãs de Jornada nas Estrelas souberam do seu projeto, fizeram uma petição (pelos correios; não havia internet) implorando que a nave fosse batizada de “Enterprise”. A NASA aceitou e convidou o elenco da série para batizá-la.

IMG_7662Lamentavelmente, o furacão Sandy causou alguns estragos e o Enterprise não estava aberto à visitação. Mas deu para tirar essa foto no passeio de barco.

IMG_7600No hangar do Intrepid, havia um stand sobre o Enterprise. Esse é um modelo de túnel de vento, usado para avaliar o comportamento da fuselagem em grandes velocidades. Não por acaso, os ônibus espaciais e o Concorde possuem o mesmíssimo formato de asa em delta. Cunhado também é parente…

IMG_7629-001Como não se pretendia chegar ao “espaço-a-fronteira-final”, a nave não tinha propulsores. Em vez disso, há esse cone aerodinâmico na traseira.

IMG_7555Repararam que este foi um post sobre ícones de expectativas futurísticas frustradas, tipo aquelas previsões para o século XXI feitas na década de 60 que nunca se concretizaram? Falamos de supersônicos que não mais existem e falamos de programas espaciais que nunca mais voltaram à Lua e ainda nem nos levaram a Marte. C’est la vie.

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U.S.S. Intrepid

***ATENÇÃO: ESTE POST É NERD***

Ou seja, aqui temos nErDiCeS.

A praga do politicamente correto: deixa eu postar logo esta parada, antes que role um pega pra capá com os EUA na S1R1A (isso é para enganar o PR1Sm e a censura dos comentários do Globo e da Folha), e aí vão me acusar de porco imperialista, fazendo propaganda dos ianques. É dura a vida do blogueiro: vai pros States e rola o escândalo da espionagem americana, mais uma ameaça de invasão na porradaria do Oriente Médio etc. Enfim.

Estando em NY, não perdi a oportunidade de visitar o Intrepid Sea, Air & Space Museum, estabelecido no porta-aviões de mesmo nome, veterano da II Guerra Mundial. Além do imponente navio e aviões de várias épocas, temos ali um exemplar do Concorde e também o ônibus espacial Enterprise, que, na verdade, foi usado apenas para testes de vôo atmosférico. Infelizmente, este último não podia ser visitado devido a estragos causados pelo furacão Sandy (agora já pode). Mas, conforme veremos, o museu é um prato cheio para turistas e NERDS.

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O museu fica no pier 86, 12th Avenue. Pode-se comprar os ingressos no site, ou na hora mesmo, dependendo da temporada. Para a visita guiada ao Concorde, paga-se uma taxa adicional.

O Intrepid tem uma longa história: foi construído no início da década de 40 e comissionado em 1943, para participar (o importante é par-ti-ci-pá) da Segunda Guerra, no Pacífico. Pertencia aos 24 navios da classe Essex  - eu disse “Essex”, não “É Sex” – e foi o quinto navio da categoria a ser lançado ao mar.

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IMG_7644Seu apelido era “Fighting I (I Lutador)”, mas o pessoal de bordo, que não perdoava nada, rebatizou-o de “Dry I (I Seco)”, por passar mais tempo no estaleiro do que no mar, devido às grandes porradarias que rolavam no teatro de combate.

Ao lado, a ponte de comando. Pensa que o timão era daqueles de madeira marchetada, envernizada e bonita, que decoram restaurantes de frutos do mar? Não, em época de guerra, ia esse disco de metal mesmo.

Ao fim da guerra, foi brevemente aposentado, mas logo voltou à reserva. Passou por um programa de modernização, que incluía, entre outras coisas, um convés de vôo inclinado, de modo a operar aviões a jato.

O que é convés de vôo inclinado? A resposta está AQUI:

P1000806Na figura de cima, vemos um porta-aviões antigo, com as pistas de decolagem e aterrissagem no mesmo plano. Enquanto um avião decola, o outro não pode pousar; caso contrário, correrá o risco de se quebrar todinho em cima do primeiro.

Na figura de baixo, vemos um porta-aviões moderno, que possui a pista de aterrisagem inclinada, “na diagonal”. Assim, podemos decolar e aterrissar ao mesmo tempo. Caso o avião que chega perca o freio, o máximo que pode acontecer é ele cair no mar, sem atrapalhar os outros. Esta informação mudou a vida de vocês. De nada.

Posteriormente, a belonave participou do programa espacial americano, ajudando na recuperação das cápsulas Mercury e Gemini em seus retornos à Terra. Também deu umas voltas pelo Vietnam e foi definitivamente descomissionado em 1974. Escapou da demolição, tornou-se museu em 1982, e aqui chegamos.

O convés e o hangar do porta-aviões são o paraíso (pelo menos para mim): têm um monte de caças, aparelhos, vídeos e outras tralhas interessantes, como este modelo do Intrepid feito em Lego, e que certamente deu pouco trabalho para ser feito:

IMG_7596A aterrissagem era feita com a ajuda deste dispositivo ótico (“meatball”- siga a bolinha). Através dos espelhos e lentes, o piloto podia conduzir seu avião de acordo com a luzinha emitida pelo aparelho. É fácil dizer isso, mas imagine-se numa máquina voadora de mil cavalos, tendo que pousar no mar, em cima de uma pista de apenas dois campos de futebol de comprimento, no meio de uma ventania…

IMG_7597Um monte de caças para a sua coleção de kits Revell na estante:

IMG_7598[Grumman TBF Avenger - torpedeiro para dois tripulantes. Aquele Vôo 19 que sumiu no Triângulo das Bermudas era composto por esses aviões]

IMG_7601[North American F-86 Sabre - caça para um tripulante, versão naval. Aeronaves embarcadas costumam ter asas dobráveis, para economizar espaço]

IMG_7609[Douglas A-4 Skyhawk - caça-bombardeiro para um tripulante]

IMG_7604[Cápsula espacial Mercury]

IMG_7605[Cápsula espacial Soyuz, soviética]

IMG_7612[Grandes momentos do Intrepid - WARSTAGRAM] 

IMG_7610[Se soubesse onde iria se meter...]

IMG_7618[No convés de vôo, a brincadeira continua: Grumman F-14 Tomcat, aquele avião que Tom Cruise usou em "Top Gun". Oi, Maverick...]

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IMG_7619É o Batplano? Não, é o fodástico Lockheed SR-71 Blackbird, jato de “reconhecimento estratégico” – espionagem. Bateu recordes de altitude (25,5 km), velocidade (mach 3.3) e fez NY – Londres em 1:55 hs. Ao lado deste exemplar do museu, Will Smith jogava golfe em uma Nova York apocalíptica em “Eu sou a lenda“. Também apareceu em “Transformers 2” como um Decepticon bonzinho e em “X-Men: First Class“, como a versão inicial do X-Jet, o jato do Professor Xavier. Cinema é a maior diversão.

IMG_7627Depois do fim da Guerra Fria, rolou uma troca de figurinhas. Aviões de países inimigos, do bloco comunista, como os MiG-15 e MiG-21 acima, foram doados e incorporados ao museu americano. Tudo na vida é passageiro, exceto o trocador e o motorista.

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Dassault Mirage III francês, versão israelense, caça / interceptador / faz-tudo para um tripulante. Com o embargo francês em 1970, Israel desenvolveu sua própria versão, o Kfir (“leão” em hebraico).

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BAE Sea Harrier inglês, caça / interceptador naval V/STOL (consegue decolar e aterrissar verticalmente), e Dassault-Breguet Super Étendard. Curiosidade: os dois estavam em lados opostos na Guerra das Malvinas, pois o Sea Harrier era utilizado pelos britânicos, e o Super Étendard, pelos argentinos.

Ao lado do Intrepid, fica o U.S.S. Growler, submarino diesel-elétrico construído em 1955-58 e um dos primeiros a carregar mísseis nucleares (dois). Ou seja, uma tremenda gambiarra flutuante, mas já naquela época o importante era par-ti-ci-pá.

IMG_7533IMG_7531Patrulhando sigilosamente o oeste do Pacífico, mesmo assim era necessário emergir de quando em quando para utilizar o motor diesel e recarregar as baterias para a próxima imersão, bem diferente dos submarinos nucleares, que podem ficar submersos por anos. Além disso, o espaço interno apertadíssimo não era muito convidativo para este tipo de missão. Ficou logo ultrapassado e foi para a reserva em 1964, e estava agendado para ser alvo de teste de torpedos em 1980. Para salvá-lo deste fim inglório, foi incorporado ao Intrepid Museum em 1988. A visita é guiada e não leva mais do que meia hora. Pessoas com claustrofobia talvez não se sintam muito bem.

Se você reclama do seu quarto de hotel, eis uma comparação, lembrando ainda que só havia cuecas a bordo. Visão do inferno.

IMG_7549Este era o secretíssimo centro de controle dos mísseis nucleares. Hoje nós o visitamos, fotografamos, blogamos… é assim a vida.

IMG_7545Para combates convencionais, do dia-a-dia, tínhamos os torpedos (não estou falando de SMS).

IMG_7561Temos que reconhecer a coragem (ou loucura) deste pessoal. Você ficaria aí dentro? Eu não. Nem virando nome de plaquinha.

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Arranhando o Céu – Quem tem o maior?

Arranha-céus são as catedrais do capitalismo. Pronto – depois dessa introdução, a galera do Facebook ou vem aqui, ou some de vez, horrorizada com o clichê.

Mas é sério. Antigamente, as maiores edificações das cidades eram as igrejas. Suas torres dominavam o horizonte e representavam a primazia do poder divino na terra. Após a Revolução Industrial e a acumulação primitiva do kapital, os deuses deram lugar à grana e as torres de bancos e outros escritórios começaram a despontar na paisagem. É por isso que os arranha-céus foram uma invenção tipicamente americana e floresceram nos States durante boa parte do século XX, com uma disputa nacional para ver quem construía o mais alto dos edifícios.

Depois, com a grobalização e o fluxo transnacional cada vez maior dos capitais, a disputa se internacionalizou. Estão aí as Petronas Towers, o Taipei 101 e o Burj Khalifa que não me deixam mentir.

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Sabem quem é o autor dessa teoria? Eu. Após estes parágrafos pseudos, vamos tratar de visitar o mais famoso dos arranha-céus, o Empire State Building.

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Empire State é o apelido do estado de Nova York. Um explorador, ao navegar o rio Hudson, que circunda a ilha de Manhattan, declarou que “podia ver um império nascendo naquele lugar”. Ele acertou, como sabemos.

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Construído no final dos anos 20 e tendo 443 metros, o prédio é todo no estilo art-déco, que apresenta motivos geométricos inspirados no cubismo e na era das máquinas. Eu adoro esse estilo e, por mim, a história do design teria parado nessa escola. Estaríamos até hoje no art-déco, novinho e reluzente.

Como o mundo andou, mas a fila não, só nos resta colecionar objetos vintage. Já entramos e vemos o belíssimo saguão principal do edifício.

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[Eu não disse que era uma catedral?]

Por questões de segurança e pela fama do prédio, a fila de entrada é bem grande, mesmo para quem já comprou o ingresso, que pode ser adquirido no site do Empire State ou fazer parte de algum voucher de múltiplas atrações (ver post anterior). Mas o importante é entrar na fila. O importante é participar. Par-ti-ci-pá.

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Talvez o maior responsável por essa fama do Empire State seja o King Kong. O filme de 1933 foi uma ótima peça de marketing por mostrar o gorilão subindo até a torre, fissurado na mocinha loura, interpretada pela atriz Fay Wray.

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Aliás, a torre foi projetada para ser um atracadouro de dirigíveis. Haveria ali uma passarela para os felizes passageiros descerem à terra. Comprovou-se que a execução desta idéia seria inviável devido às ventanias, e o desastre do Hindenburg em 1937 acabou com a era dos dirigíveis.

Curiosidade 1 – em 1945, um bombardeiro B-25 bateu no 80° andar, deixando 14 mortos. Um triste presságio do 11 de setembro, 56 anos depois.

Curiosidade 2 – o Empire State possui uma iluminação noturna colorida, que costuma ser usada para homenagear várias datas especiais.

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[Na União Soviética, o Empire State visita VOCÊ!!]

Chegando ao deck de observação, no 86º andar, temos uma brilhante visão de toda Manhattan.

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E podemos ver outros arranha-céus famosos:

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- O Chrysler Building, que reinou como o maior edifício de NY e do mundo durante  11 meses, até ser superado pelo Empire State em 1931 (não deu nem para sentir o gosto);

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- O prédio da New York Life Insurance Company e seu belo domo cônico;

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- As torres do conjunto do New World Trade Center, no mesmo local do anterior;

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- E o Flatiron Building, este prédio em forma de fatia de bolo acima, erguido em 1903 e o maior do mundo à época.

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[Jogando SimCity]

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No interior do deck principal, há terminais de autoatendimento para comprar o ticket para o 102º andar, acima. É bom porque este último andar é fechado e climatizado, ao contrário do deck aberto, onde você pega o maior vento. Mais alto do que isso, só se você for o King (Kong).

Deixando o Empire State, vamos falar de outro arranha-céu injustamente deixado em segundo plano: o Chrysler Building. Ao final dos anos 20, havia uma grande competição para ver quem construiria o edifício mais alto da cidade. Primeiramente, levantou-se o atual Trump Building, na 40th Street, em abril de 1930, com 283 metros. Mas o Chrysler já estava em construção e guardava um segredo: uma antena de 38 metros no seu interior, prestes a ser içada quando o “rival” fosse terminado. Assim foi feito, e em maio de 1930 o Chrysler Building foi inaugurado com 319 metros, tirando o título do anterior, apenas um mês depois. Aí veio o Empire State e reinou absoluto até a década de 70, quando construíram o primeiro World Trade Center. Quem não faz, leva.

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Na minha opinião, este prédio é ainda mais belo que o Empire State. É outro grande exemplar do art-déco, com gárgulas em forma de enfeites de capô de automóveis, sem falar na “coroa” dos terraços no topo, revestida em aço inoxidável.

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Quando fotografei a entrada, havia um monte de andaimes escurecendo a visão. Aliás, isso é outra característica de NY: não há UM quarteirão sem andaimes. Isso é que é manutenção preventiva (ou não, sei lá…).

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Seu salão de entrada é menor, mas nem por isso menos suntuoso.

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Infelizmente, o prédio não é mais aberto à visitação pública. Havia um observatório até os anos 70. Que pena.

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[Olha a hora, vagabundo!!!]

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Vemos aqui uma das supertrabalhadas portas de elevador, composta de um mosaico de diversas madeiras (carvalhos, ciprestes, mognos). Não tive firmeza suficiente para não tremer a foto, mas dá para ter uma idéia.

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Finalizando, um interessante estudo informa que arranha-céus são prenúncios de crise. De acordo com a teoria, chamada de “Índice de Arranha-Céus”, “(…) com as taxas de juro em queda, a construção de espaços para escritórios aumenta para acomodar a expansão das empresas. Fica mais barato construir, então os projetos ficam cada vez mais altos. Finalmente, quando o boom atinge seu pico, o mercado saturado e o temor de uma bolha faz tudo paralisar“. Ou seja, depois das vacas gordas, vem a conta e créu. Tem até um gráfico no link acima, mostrando uma correlação exata desde o final do século XIX, quando estas construções começaram a aparecer, até o estouro de 2008. Coincidência ou não, como esses prédios estão em moda nos países emergentes nestes tempos já bicudos, é bom prestar atenção nessas coisas. Depois não digam que não foram avisados…

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Museu Guggenheim

Voltando à nossa apresentação normal, até para não piorar a tendinite – essas coisas vintage são boas para ficar olhando, e só – continuaremos o passeio por Níu Iórqui.

Após acordar do coma, resolvi ir ao Guggenheim. Este museu é mais um dos ícones de NY, teretetê, teretetê etc. Também foi o primeiro Guggenheim do mundo, como vocês devem saber. Depois virou franquia ;)

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Detalhe importante, que não mencionei anteriormente: sobre as entradas para as atrações, existem três tipos de vouchers à venda em NYC – o NY Pass, que combina 80 atrações com prazos de utilização de um a sete dias, o NY Explorer Pass, onde se pode escolher de três a dez atrações de um total de 56, válido por 30 dias, e o NY City Pass, que oferece seis atrações durante 9 dias. Todos garantem o “fura-fila” de entrada (mas não o dos checks de segurança, quando houver) e, em tese, oferecem preços menores do que se você fosse visitar cada uma das atrações individualmente. E, obviamente, podem ser comprados pela internet, mas deverão ser retirados nos lugares informados em seus sites (você recebe um e-mail ao término da compra). Se o leitor morasse nos EUA, seriam entregues em su casa.

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Há várias análises de custo X benefício nos sites de viagem, então não me estenderei. Escolhi o NY City Pass, e achei que ele vale muito a pena, se o usuário pretender fazer todos os seis passeios, como eu fiz.

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O museu foi projetado para ser um ícone singular, totalmente diferente dos outros museus à época. Daí que o piso interno segue em espiral do térreo à rotunda, continuamente. Ou seja, não há “andares” no sentido estrito do termo, por assim dizer.

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Curiosidade: no filme “Trama Internacional (2009)“, há uma cena onde ocorre um imenso tiroteio dentro do museu, com mortos, feridos e pedaços do prédio por todo o lado. Na verdade, os produtores construíram uma réplica em tamanho natural do interior do Guggenheim nos estúdios, em Berlim. Isso é globalização.

IMG_7375[Brasil em NY]

A melhor parte do museu é a coleção de impressionistas, abstracionistas e cubistas em uma das salas adjacentes às sacadas internas (naturalmente, não podem ser fotografadas). As instalações itinerantes que ficam nas sacadas são muito experimentalistas para o meu gosto.

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Na verdade, acho que o museu acaba por sofrer do mesmo mal do MAC de Niterói: a beleza da construção sobressai muito mais do que seu conteúdo… Em termos de obras de arte, eu achei a franquia do Guggenheim em Veneza mais completa.

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