Primavera em Roma

Sambódromo romano

Este blog – na verdade, o blogueiro – é tão maluco, que volta a funcionar no Carnaval, apenas para ter o prazer de competir com os blocos e o desfile das escolas de samba. Vou perder feio, mas caio lutando.

E vamos a Roma, outra capital tipo Paris, que comporta todos os clichês e ditados possíveis – calma, não irei citá-los.

Mas chegar em Roma de trem é como um daqueles memes da internet: “Você não está fazendo isso certo”. É feio pra cacete, tipo Central do Brasil um pouco melhorado. Fiquei hospedado no Massimo D’Azeglio, em frente à estação de trem e do metrô. Por isso o bairro se chama Termini. Nesse ponto, é bem prático: igual ao Hotel Ambasciatori, que fiquei em Florença. Mas as semelhanças acabam por aí. Tudo bem, a Via Cavour, onde fica o hotel, parece ser a melhor avenida do bairro – há outras não muito boas pelo que vi nos relatos dos leitores no Viaje na Viagem, do nosso Ricardo Freire, mas, na próxima vez, fico no Leblon-Ipanema de Roma.

E então entro no hotel e o indivíduo no balcão me entrega a chave do quarto: “Quarto tal, café da manhã hora tal, elevador à esquerda e bye-bye”. Bye bye, so long, farewell

Depois do encontro com o Guilherme Arantes romano, o quarto. Parecia bom. Pé direito imenso, mobília bem ajeitada. Sinto um cheiro de tinta. Haviam acabado de pintar as portas e batentes. E eu sou alérgico. AARRRGHHH!!!

Pronto, não vou mais falar desta desastrosa chegada. Falta apenas informar sobre o metrô de Roma, que possui somente duas linhas, mas leva a quase todos os lugares turísticos, e é uma porcaria permanentemente lotada. Agora vamos levantar o astral.

No outro dia…

Levantei cedo e fui ao Coliseu. Já havia uma pequena fila para comprar o ingresso e entrar. Era início de maio e o processo foi tranquilo, mas é totalmente recomendável reservar em alta temporada. Clique AQUI.

Aproveitei e comprei logo o ingresso para o Coliseu e para o Fórum Romano, com validade de 24 horas. Você pode visitar os dois no mesmo dia (eu fui, mas choveu à tarde), ou deixar um deles para o próximo.

E enfim, o glorioso Coliseu. Vocês já sabem: chamava-se Anfiteatro Flaviano, foi construído em 72 D.C. pelo imperador Vespasiano, tinha capacidade para 55.000 espectadores, era o Maracanã de sua época e blá blá blá. Mas o que importa mesmo é que lá rolavam os combates entre gladiadores, uma espécie de UFC / MMA até o fim. Corria sangue, muito sangue. O pessoal se batia com tudo, se atracava com leões, tigres, ursos e outros bichos trazidos de todos os recantos do Império Romano. Enquanto isso, o povo urrava e delirava de prazer ao ver o grotesco espetáculo. Antes dos embates, havia distribuição de pães e outros alimentos para o público. Daí a expressão: “pão e circo”.

………………………….

Há uma pequena mostra onde vemos vários achados arqueológicos, como os crânios de animais mortos durante as “partidas”.

Para celebrar a inauguração, foram realizados espetáculos durante cem dias. Alguns historiadores afirmam que, através dos aquedutos romanos, era possível encher a arena de água e simular uma batalha naval. Outros negam esta teoria e o debate continua.

Assim como hoje em dia, o público ficava em locais demarcados de acordo com sua classe social. Tinham os camarotes VIP, as arquibancadas e a geralzona. A entrada e a saída eram facilitadas pelas grandes galerias e passagens entre as arquibancadas, que se chamavam vomitorium. Legal comparar o público com algo que é porcamente expelido…

Normalmente, os gladiadores eram escravos e prisioneiros de guerra. Os melhores poderiam ser agraciados com a liberdade, dependendo da sua performance e do humor do imperador. Alguns cidadãos romanos também largavam tudo e decidiam se tornar gladiadores, apenas pela fama e pela adrenalina. Pobres meninos ricos.

Muitos viravam celebridades, tinham fãs-clubes e chegavam a ser contratados pelas damas romanas para prestarem serviços que seus maridos não cumpriam devidamente (sério). Não se sabe se eles também costumavam participar de algum BBR (Big Brother Roma) da época.

Agora imagine-se no papel de um gladiador, antes de entrar em campo: abrem-se os portões e você entra, se borrando todo…

…..

…dá de cara com a multidão e seus gritos…

…toma o golpe sem nem saber de onde veio, e cai.

Com a espada do adversário no seu pescoço, sua vida depende do imperador e do clássico gesto do polegar. Ou seja, se você fica pau da vida porque ninguém “curtiu seus posts no Facebook, saiba que não ser curtido no LIVRO DAS FACES era muito pior nessa época.

Mas ainda bem que estamos em tempos modernos, visitando o Coliseu, e ninguém vai fazer você passar desta para a melhor. Hoje a pomba da paz reina na arena (ô brega).

Só tome cuidado com os caras fantasiados de gladiador do lado de fora: qualquer foto tirada com eles é cobrada.

Já tinham descoberto a América naquele tempo?

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7 respostas para Primavera em Roma

  1. Mari Campos disse:

    hahahaha chorando de rir aqui com o “non cvrtidvs” :lol:
    btw, o bom de ser blogueiro é que a gente sempre pode contar com os demais membros da “catiguria”. Afinal, não saí nos blocos, não acompanhei os desfiles, mas vim aqui visitar o Agora Vai :mrgreen:

  2. Carmen disse:

    O Coliseu de Roma é imenso, enorme, colossal e impressionante… mas seguro que respira um ar difícil….

  3. petter disse:

    Euehueheuheuheuhe.. tá curtido!

  4. Roadrunner disse:

    Excelente e humorada crónica, como é habitual. Parabéns!
    Gostei particularmente da introdução ao hotel. É que da minha visita a Roma fiquei precisamente no Termini, num hotel (se assim se pode chamar) em que cada vez que me lembro dele dá-me vontade de rir para não chorar! Quarto no piso térreo, próximo à recepção, toda as noites a ser “massacrado” com campaínhas, televisão da recepção em altos berros, gritaria, guinchos, portas a bater, etc etc etc. Das quatro noites que passei em Roma apenas dormi a última porque o cansaço já era tanto que nem que me caísse em cima um elefante africano eu não acordava. Continuando, o quarto era pequeníssimo com a janela para a rua! – estamos a falar do Termini!!! As toalhas de banho eram do tamanho das toalhas de bidé! A cama era de bebé, ficava com as pernas do joelho para baixo de fora. O pequeno-almoço dava uma saga em 30 episódios – uma única funcionária limpava, servia às mesas, levantava pratos, punha pratos, lavava, servia cafés, arrumava, ao mesmo tempo que deseperadamente ia gritando (os italianos não falam, gritam!) “Porca miséria, que casino!!!”. O preço do hotel, é melhor não falar, mas posso adiantar que já fiquei em hotéis de 5 estrelas muito mais baratos (este era de 3 estrelas!).
    Enfim, podia alargar-me mais sobre Roma, mas isso daria uma Biblia e seria fastidioso. Estou a lembrar-me, por exemplo, dos transportes públicos, e da “odisseia” para entrar num autocarro, já que em Roma não se respeitam filas, nem se espera que as pessoas saiam, mal o autocarro pára, corre-se desenfriadamente para dentro, empurrando-se quem tenta sair!… Enfim, como digo seria fastidioso prolongar o parlapier.
    Mas tudo isto para dizer que apesar da desorganização, balbúrdia, barulho, caos, trânsito e todos os outros defeitos dos romanos, Roma contínua a ser a minha cidade de eleição, faltando-lhe só o mar (embora não fique longe) para ser a cidade perfeita no meia da imperfeição. Para além disso, onde é que se consegue noutro lado do mundo um imenso museu ao ar livre como aquele?
    Estes Romanos são loucos!
    …e as Romanas, ai!

    Saudações do Roadrunner!

    • Arthur "H" disse:

      Roadrunner, imagino sua odisséia. Parecida com a minha. Mas, como você mencionou, o museu ao ar livre que é Roma compensa. E as romanas também (bem como as parisienses – trocadilho à vontade do leitor)

      Abs!

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