Passando por Ancara

Muitos pacotes costumam dar uma passada por Ancara, capital da Turquia, antes de levar os turistas até a Capadócia. Vamos até a terra do gato angorá (é sério) e depois ver o resultado final.

Pela low-cost Pegasus Airlines se chega a Ancara, em um vôo de uma hora. É uma boa companhia, aviões novos e realmente de baixo custo, ao contrário das nossas congêneres.

A cidade traz a história tumultuada típica dos lugares mais velhos que o rascunho da Bíblia. Há evidências de ocupação humana desde a Idade do Bronze. Na ordem, vieram os povos hatti, hititas, frígios, lídios, persas, gregos – Alexandre o Grande até deu uma curtida no Face da cidade – romanos, bizantinos e otomanos.

No início do século XX, não tinha mais quase ninguém por lá. Porém, com a queda do Império Otomano após o fim da I Guerra Mundial, a Anatólia foi ocupada pelos exércitos aliados. Mustafá Kemal, general e herói da Batalha de Galípoli, liderou os nacionalistas na Guerra da Independência Turca. Findas as hostilidades, Mustafá Kemal achou melhor fixar a capital em Ancara devido a sua localização bem mais defensável no planalto, ao contrário de Istambul, que passava de mão em mão há milhares de anos.

Todos esses eventos estão retratados nas duas maiores atrações de Ancara: o Museu das Civilizações da Anatólia (entrada 10 TL) e o Mausoléu de Atatürk (também conhecido como Mustafá Kemal).

O Museu tem uma riquíssima coleção de objetos dos povos citados acima, desde o Paleolítico. Infelizmente, grande parte estava fechada para reforma no dia da visitação.

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De cima para baixo: pintura neolítica, escultura de leão e alto-relevo hititas, estandarte sacerdotal representando o Universo, deus hitita em forma de cervo, deusa-mãe Cybele.

Falamos em Atatürk e vamos entender melhor a importância do cara na moderna história turca. Após a vitória na Guerra da Independência, Kemal tornou-se o primeiro presidente e empreendeu uma série de reformas gerais: adoção do alfabeto romano, separação entre o estado e a religião, adoção de vestes ocidentais (ele mesmo deu o exemplo, usando um panamá e descartando o fez – aquele chapéu de turco que vocês já viram nos desenhos…), novos códigos penal e civil, criação de associações culturais, linguísticas, históricas e universidades, e todas as mudanças possíveis e imagináveis. Saiu até pessoalmente por todo o país para alfabetizar o povo, e a partir daí, foi aclamado Atatürk: Pai dos Turcos. Seu legado dura até hoje – muitos golpes militares na Turquia foram executados quando algum dos princípios básicos do kemalismo estava sendo ameaçado. Não há lugar que não tenha seu retrato, e é proibido insultar ou satirizar o sujeito.

Ou seja, Atatürk foi uma espécie de Getúlio Vargas da Turquia. Somado com JK e multiplicado por mil.

Hoje ele repousa em seu mausoléu, o Anitkabir, em um sarcófago de 42 toneladas.

Além da bela decoração, como o teto folheado a ouro, há cenas, pertences pessoais e vários nichos contando o impacto das reformas de Atatürk na sociedade turca. Todo o complexo está sob guarda do exército e para entrar lá, é engraçado: os visitantes descem do ônibus de turismo e fazem a fiscalização por raio-X. Mas o ônibus continua andando, sem ser fiscalizado, e os turistas voltam…

Enfim, na minha opinião, apesar da riqueza do Museu das Civilizações e da importância de Atatürk na criação do moderno estado turco, achei que não valeu a pena a parada em Ancara. Se eu estivesse por conta própria, tentaria voar diretamente de Istambul para Kayseri, a cidade que tem o melhor aeroporto da região (segundo o Frommer’s, o aeroporto de Nevsehir, que é mais perto, tem poucos vôos), e tentaria um transfer do próprio hotel.

Não estando, mais algumas horas de estrada até a cidade de Ürgüp, na Capadócia, terra de São Jorge. Fiquei no Yunak Evleri Cave Hotel, que oferece o transfer dos dois aeroportos acima. Como diz o nome, fica… numa caverna.

He he, na verdade o hotel é de primeira. O que acontece é que não há andares; cada apartamento foi escavado em determinado nível do maciço rochoso, mas tudo ligado por pátios e escadas, com um staff superatencioso que vem dar as boas vindas, explicar tudo que for necessário e oferecer um drink de cortesia – oferecer na hora mesmo, não apenas dar um vale.

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Tudo decente, como se vê. No armário à esquerda, cofre digital, CD-player e frigobar, que ninguém é de ferro. Só não tem TV para você ver o Brasileirão. Mas é uma base muito boa para…

A seguir: passeio de BALÃO na Capadócia

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4 respostas para Passando por Ancara

  1. MeilinMeilin disse:

    Bacanéeeeeerrimo! Parabéns, como sempre.

  2. Majô disse:

    Muito bacana Arthur, continuo pegando suas dicas e impressões ;-)

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